Moacyr, Steam e a opinião pública

Antes de mais nada, ~~calma~~
O assunto desta terça-feira foi o Moacyr Alves e um depoimento controverso, dado por ele a um programa em vídeo chamado Checkpoint, muito bem notado pela garota do blog Mais de Oito Mil, o qual eu já conhecia por suas críticas sinceras ao Jogo Justo e à Acigames. No programa, Moacyr dá a entender que os jogos vendidos digitalmente no Steam, que não possui escritório no Brasil, precisam ser taxados (ainda que já se cobre um imposto, o IOF, de 6,28% sobre o valor da compra), como forma de proteger os lojistas e a venda de jogos físicos, que ainda chegam aqui a preços exorbitantes.
O PC tem sido a alternativa escolhida por muitos para fugir da taxação elevadíssima que torna os jogos tão caros por aqui, sendo o Steam sua plataforma mais popular, utilizada até por quem não costuma jogar com tanta frequência no PC. E quando justamente o criador do Jogo Justo, responsável por criar um grande movimento popular em prol da prática de preços mais acessíveis por parte dos lojistas e pela redução de impostos, afirma que quer “regulamentar” o Steam no Brasil, gerando um novo imposto para os jogos distribuídos digitalmente, justamente para proteger os lojistas, Moacyr, de um dia para o outro, passou de mocinho para vilão.
No vídeo onde ele faz sua afirmação, que já conta com aproximadamente 90% de votos negativos no YouTube, ele está sendo massacrado como, provavelmente, nunca foi antes. Tenho a impressão de que as pessoas já estavam ressabiadas com o cargo de Moacyr no governo, e só estavam esperando um deslize para soltar os cachorros, mesmo aqueles que, inicialmente, viam-no como um “salvador”. Entre os desenvolvedores, mais atentos ao mercado e indústria nacionais, essa impressão é ainda mais clara.
A reação, contudo, me parece bastante precipitada. Ao que tudo indica, Moacyr foi mal interpretado e a reação do público, um tanto exagerada. A intenção do cara, inclusive, pode ser bem melhor do que soava na entrevista, como ele já tentou explicar no Twitter. A questão é que Moacyr e a Acigames precisam de uma melhor representação na mídia e uma comunicação mais clara e transparente com o público, principalmente, com os desenvolvedores.
Acho curioso também que esse tipo de crítica tenha que vir de blogs “de fora”, menores (o Mais de Oito Mil é um blog sobre animes, em essência), e não necessariamente de jornalistas, categoria na qual eu mesmo me enquadro. Ainda que o assunto tenha dominado minha timeline do meu Twitter, composto principalmente por jornalistas e desenvolvedores, não vi a discussão chegar a nenhum site de games ou mesmo blogs. Precisamos ser menos receosos para falar abertamente sobre o assunto.
De qualquer forma, o assunto ainda é recente demais para tirar qualquer tipo de conclusão e o próprio Moacyr publicará um vídeo esclarecendo toda a polêmica. Eu, pessoalmente, continuo achando que foi uma reação exagerada do público (e, veja bem, se tem alguém que defende o Steam a unhas e dentes, sou eu), mas estou curioso para saber quais são as reais intenções da Acigames. Só acho que precisamos ser mais cuidadosos com informações nebulosas – e o Moacyr, com o que diz.

